Quinta-feira, Outubro 02, 2008

porque todo táxi tem cheiro de coisa velha?
e porque todo taxista insiste em espirrar com a janela fechada?

por boo -


Sexta-feira, Setembro 26, 2008

saber que o coração está preparado pra outra, é renovador. passei muito tempo achando que esse momento jamais chegaria, que eu jamais sentiria as borboletas no estômago... mas tudo era questão de confiar no tempo e em mim mesma.

acontece que as borboletas apareceram. ninguém sabe - nem eu mesma - por quanto tempo elas ficarão me rondando, mas o que passou já valeu. valeu pra saber que a estrada vai além do que se vê MESMO.

se for pra ser, será. e será muito bem vindo, coração. e se não for, que se transforme numa ótima lembrança e em um marco delicioso pra uma nova caminhada.

enfim, sejam bem-vindas, senhoras borboletas...

[eu definitivamente tenho que manter uma certa frequência nas atualizações... o pó daqui me sufocou! kkk]

por boo -


Quarta-feira, Setembro 10, 2008

A arte de pisar em nuvens - por Gustavo Gitti

"O que é vertigem? Medo de cair? Mas porque temos vertigem num mirante cercado por uma balaustra sólida? Vertigem não é o medo de cair, é outra coisa. É a voz do vazio debaixo de nós, que nos atrai e nos envolve, é o desejo da queda do qual nos defendemos aterrorizados." – Milan Kundera, em A Insustentável Leveza do Ser

Suspensão: agora é a cozinha que recepciona o êxtase. Começa metendo por cima da mesa de vidro, mas logo ele a levanta. Ali tudo faz sentido, tudo repousa. É a posição preferida dela: suspensa, entregue, sem nenhum pé no chão, menina e mulher, segurando e se soltando. Ele apoia o pé esquerdo na cadeira e com a coxa levanta a perna direita dela (a esquerda é sustentada pelo seu braço direito). Ela hesita, não sabe se ele aguentará o peso. Levemente, ele a joga para cima. Ela cai, ele fundo dentro. Ela confia. Não há mais por que hesitar.
O filósofo David Loy sugere a idéia de que nós evitamos o vazio ("avoid the void"), de que nosso medo e ansiedade surgem da possibilidade de nosso eu não ser real, de nossas identidades não serem tão sólidas como imaginamos. Segundo ele, buscamos existir e nos tornarmos reais por meio do dinheiro, da fama, do amor romântico e da tecnologia. Procuramos por alguma base para fixar os pés e ali nos sentimos protegidos. O pessoal do trabalho nos concede qualidades, nosso parceiro amoroso nos elogia, somos irresistíveis pelo MSN, compramos roupas e gadgets que nos deixam vivos diante da sociedade.
É impressionante como colocamos energia e vinculamos nossa felicidade a elementos impermanentes (uma pessoa, uma instituição, uma casa, uma cidade, nosso corpo): quando eles flutuam, oscilamos; quando desabam, morremos junto. Por termos medo de viver sem bases, nos agarramos a bases frágeis, como se elas fossem seguras e eternas.
Quando entramos em crise, somos como o Coiote (Wile E. Coyote) que, ao fugir do Papa-Léguas (RoadRunner), se dá conta que passou do limite do penhasco e ficou alguns segundos correndo sem chão. Temos a sensação de base até que olhamos para o chão e tomamos um susto: não há nada abaixo de nós! Assim que percebemos isso, começamos a cair e buscamos desesperadamente por outra base. Com a nova sensação de pés no chão (depois de uma promoção no trabalho ou uma bela noitada com a nova paixão), paramos de olhar para baixo. De fato, a sensação de segurança vem dessa ilusão, cegueira voluntária. A base dura, portanto, até o momento em que algo nos levanta as pálpebras, até que olhamos novamente para baixo e vemos que estamos há tempos andando sem chão.
Ora, nunca houve penhasco algum! Em nenhum momento de nossas vidas realmente estivemos em um chão seguro. A crise só acontece pois temos a sensação de perder algo que nunca tivemos. Desde nosso nascimento, estamos andando céu afora, sem porto seguro, sem referencial último, sem certezas absolutas, sem colo incondicional. Não precisamos nos desesperar quando a vida puxa nosso tapete e perdemos o chão: ele nunca existiu. (A mesma idéia se apresenta na instrução "Viva como se estivesse morto": sem medo de perder a vida, pois não mais a tenho, posso finalmente viver).
Curiosamente, ao viver sem bases, ganhamos potência e intensidade. Enquanto buscávamos segurança, deixávamos um pé atrás diante dos mergulhos inevitáveis da vida – no outro, nas artes, no mundo e no amor. Agora, na espacialidade sem sustentação, nos jogamos inteiros, com força total. Já que nosso medo é virar nada, cessar de existir, não ser, corremos em sua direção e nos tornamos um imenso nada, para que tudo seja em nós. Tal processo levou Nietzsche a dizer:

"Vamos matar o espírito da gravidade!
Eu aprendi a andar. Desde então, passei por mim a correr.
Eu aprendi a voar. Desde então, não quero que me empurrem para mudar de lugar.
Agora sou leve, agora vôo, agora vejo por baixo de mim mesmo,
agora um Deus dança em mim!"


Se desejamos percorrer o amor, frui-lo por dentro e ser levados por ele, não podemos fixar os pés, não podemos tocar o chão. É na suspensão, a mesma da posição sexual na cozinha, que nos livramos do medo. No chão, toda pisada esconde medo e esperança. No chão, os olhos se fecham, os pés hesitam: o calcanhar verifica a solidez, as pontas dos dedos conferem se não há um buraco logo a frente. Só andamos se o chão diz OK. Só amamos se confirmamos cada sentimento no outro. No chão, mal pisamos. Andamos torto.
Suspensos, olhamos para as nuvens abaixo. Abrimos os olhos e pisamos fundo. Nosso andar é confiante pois não faz checagens – os pés não buscam solidez. Não há medo de cair já que o chão inexiste. A queda só dói quando há chão. Queda sem chão tem outro nome: vôo. Amar é sair andando e de repente se descobrir voando. É o amor, não só a Marisa, que nos chama cantando: "Vem andar e voa… vem andar e voa".

"Isto é amor: voar na direção de um céu secreto,
fazer com que cem véus caiam a cada momento.
Primeiro soltar-se da vida
E finalmente dar um passo sem pés."
–Rumi (poeta e sábio sufi)

por boo -


Sábado, Agosto 16, 2008

*momento desabafo:

regina spektor na trilha sonora da novela das oito é um ultraje.

falay.


*momento descontração:


hohohoho

por boo -


Domingo, Agosto 10, 2008

a vida deu uma volta que me surpreendeu. e, baseada no meu desejo de final de ano, acho que as coisas acabaram saindo do jeito que eu queria, algumas até melhor.
essa semana completei meu ano novo. deixei pra trás tudo o que meu coração reclamava e, no lugar, coloquei tudo aquilo que é novo, que faz bem e que me traz paz.
sinto que agora a vida vai dar outra volta. boa também. melhor ainda do que a que eu esperava. afinal, o ano só está começando.

me emociona ter descoberto um pouco da simplicidade de todas essas voltas. me surpreende a facilidade em compreendê-las.
e há tempos atrás, eu dizia a todos que a vida é simples; a gente é que complica. e em uma fase obscura, ignorei as minhas próprias palavras.

mas hoje me escuto.

e hoje, o que eu desejo pra mim é muito pouco perto do que eu mereço.

que Deus me permita estar sempre rodeada dos que me querem bem, que me permita encher meu coração de alegria todos os dias, que liberte minha cabeça para usufruir de novas experiências e que me ensine a, cada vez mais, entender que o que é meu estará sempre guardado.

e que eu continue tendo a capacidade de agradecê-lo por todas as oportunidades, mesmo aquelas que - por hora - eu não consigo enxergar.

bem vindo, ano novo. bem vinda vida nova.
:)

p.s.: e se alguém encontrar com a tal da vida, pergunta se, numa dessas voltas, existe a possibilidade de ela deixar um namorado na minha porta, eu vou achar ótimo, ok? sabe como é, ela anda muito apressada, pode ter esquecido! ;D

por boo -


Sexta-feira, Agosto 08, 2008

sabe qual a coisa que eu mais gosto nesse mundão velho sem porteira?

...ele dá voltas!

e esse "ano novo" só começou, veja só. mas eu gosto é do estrago e quero muito, mas muito mais.

por boo -


Segunda-feira, Julho 28, 2008

crise existencial às vésperas do aniversário é UÓ!


desabafay.

por boo -


Quarta-feira, Julho 23, 2008

as novidades são que depois dessa lei seca, todo mundo aprendeu (ou pelo menos quase todo mundo) que não se deve beber e dirigir, porém esqueceram todas as outras normas de trânsito.
também tem a que a derci gonçalves morreu e o cara que apostou nessa data no bolão pé na cova deve ter ganhado uma grana preta.
e também tem o fato de que se a mulher melancia virar ponto de referência, eu tô bem na fita.
e que, apesar de eu estar trabalhando que nem uma condenada, estou feliz-pra-caralho (mas ainda acho que eu preciso de mais bares/festas/bebedeiras/risadas/amigos... irritadinha mode on, sabe? pareço até um periquito no asfalto hoho).

enfim, entre mortos e feridos, todos sempre se salvam, não é mesmo?

por boo -


Sexta-feira, Julho 11, 2008



eu ia dizendo...

por boo -


Segunda-feira, Julho 07, 2008

a partir de hoje, estou oficialmente no meu inferno astral.
mexe com quem tá quieto, mexe.

por boo -


"...you take the things you like and try to love the things you took. you take that love you made and stick it into some someone else's heart, pumping someone else's blood... and walking arm in arm you hope it don't get harmed but even if it does you'll just do it all again..."

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after.a.while

"After a while you learn the subtle difference between holding a hand and chaining a soul. And you learn that love doesn't mean leaning and company doesn't always mean security. And you begin to learn that kisses aren't contracts and presents aren't promises. And you begin to accept your defeats with your head up and your eyes ahead with the grace of woman, not the grief of a child. And you learn to build all your roads on today because tomorrow's ground is too uncertain for plans, and futures have a way of falling down in mid-flight. After a while you learn that even sunshine burns if you get too much so you plant your own garden and decorate your own soul instead of waiting for someone to bring you flowers. And you learn that you really can endure, you really are strong, you really do have worth and you learn with every goodbye, you learn..."
[Veronica Shoffstall]